quinta-feira, 18 de outubro de 2018

A PESSOA QUE TEM UMA MÃE ABUSIVA ESTÁ CONDENADA?

Não! Ser filho de uma pessoa abusiva é muito difícil, mas não impossível.
Para apresentar esta questão, que foi respondida com muita precisão e propriedade, começo este breve ensaio pela conclusão que extraí acerca de leituras, e vivências – as atitudes abomináveis dessa senhora aqui – vide SOBREVIVENDO NO INFERNO.
É Fabíola Sperandio Teixeira do Couto, especialista em terapia de família, quem faz a pergunta acima, respondendo-a e desenvolvendo o assunto, vejamos.

‘É possível lidar com essa mãe venenosa, a primeira coisa a ser feita é detectá-la, claro que isso não resolverá a situação.
Elas são desestabilizadoras, podem transformar a vida de alguém em um caos, uma condição completa de ausência de paz.
Esse movimento se torna bastante sufocante e destrutivo e muitas famílias não percebem esse relacionamento destrutivo.

Deixá-la se fazer de vítima não ajudará em nada.
Mães abusivas possuem uma tendência de mostrarem-se sofredoras e incompreendidas em suas intenções, mas não podemos tirar o foco dos filhos, os mais feridos são eles.

Os adultos que vivenciaram até essa fase as ações da mãe, precisam reconhecê-la e enfrentá-la com sabedoria.
Encarar a “doença” da sua mãe é o primeiro passo para dar o basta.
A partir da consciência do que ocorreu, podem-se promover ações, buscar entender que as intolerâncias que tanto contribuíram para o adoecimento emocional, que essas “feiúras” não pertencem a você e sim ao abusador, lhe permitirá reagir e lutar.

Quero ressaltar que ao chegar à vida adulta e decidir por afastar-se da mãe abusiva não se sinta culpado.
Às vezes o afastamento é necessário para a busca de uma vida harmoniosa e feliz.
E viva a oportunidade que temos de escolha quando temos consciência do que nos faz mal!’

Bem, depois do que Fabíola nos ensinou resta dizer que assim como eu, no fim das contas, você irá perceber que todas aquelas pessoas que decidiram não seguir mais ao teu lado, já não fazem falta alguma.

Em famílias com problemas, abuso e negligência são permitidos; é falar sobre isso que é proibido. – Elsa Morais

domingo, 14 de outubro de 2018

– VOCÊ APROVA O QUE ELE ESCREVEU?

– Eu admiro, você deveria fazer o mesmo.
Na peça Álbum de Família de Nelson Rodrigues, Glória revela para o irmão: Eu nunca disse a ninguém, sempre escondi, mas agora vou dizer.
Não gosto de mamãe. Não está em mim, ela é má.

A vida que se esconde por trás das cortinas do teatro.
Tenho 43 anos, sei muito bem o que é isso. Não tenho mãe, tenho uma pessoa muito estranha, maldosa, rancorosa, sem afeto. No momento me vejo sem saída, mas tenho esperanças de dias melhores bem longe dela. – Anísio

Bem, a fala acima foi postada em um fórum, mas mesmo não fazendo parte do espetáculo, com muita precisão e propriedade ganha sentido conotativo aplicada em um contexto, e é muito interessante para a construção do conteúdo.
Refere-se a descrever condições, e causas profundas da realidade e seu significado e propósito.

Em tempo: Reconheço que assim como todos cometo erros, mas tenho que lutar pelos meus valores, crenças, ideais, e tenho que escolher o certo, pois tenho conhecimento do que é errado.
As pessoas, porém, inventam explicações, atribuem significado a coisas sem saber, porque é tranqüilizador, reconfortante, mas não faço isso, porque eu sei aquilo que não segue a direção certa.

Ainda em dúvida?
Veja as atitudes abomináveis dessa senhora aqui em: SOBREVIVENDO NO INFERNO.

E se me achar esquisito, respeite também, até eu fui obrigado a me respeitar. – Clarice Lispector

terça-feira, 9 de outubro de 2018

É MELHOR NÃO TER FILHOS DO QUE NÃO ESTAR AO LADO DELES QUANDO ELES PRECISAM

Uma ponta do véu levantada para vislumbrar a verdade.
Dentre as histórias clínicas que Freud apresentou ele revelou que a idealização: a mãe é fonte inesgotável de amor, oculta sentimentos agressivos.
Tem gente que não acredita, mas a verdade, explica a psicanalista Márcia Neder, é que as relações familiares engendram impulsos amorosos e hostis, mesmo que essa hostilidade permaneça escondida e disfarçada.

Até hoje, em fóruns acadêmicos ou debates públicos, o tema incita reações violentas como nos conta Marcia Pinna Raspanti, jornalista.
‘A “mãe má” é um tabu! É monstruoso mostrar esse lado sombrio da mulher.
A intolerância contra amigos ou outras pessoas pode definir alguém como irracional ou infeliz, mas, a intolerância em relação aos filhos torna uma pessoa à encarnação do mal.’

As marcas (vide as provocadas pelas atitudes dessa senhora aqui em SOBREVIVENDO NO INFERNO), as seqüelas, essas costumam ficar, mas mudamos nossa maneira de conviver com elas, basta ler alguns relatos transcritos em um texto anterior.

Ser mãe é uma condição subjetiva; nem toda mulher fértil está apta a exercer a maternidade. Nem ela é mágica capaz de transformar o caráter da mulher. – Mary del Priore, historiadora com pós-doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales e escritora, com cerca de 40 livros publicados e diversos prêmios nacionais e internacionais.

domingo, 7 de outubro de 2018

AMBIVALÊNCIA MATERNA

Verdades que todo mundo deveria saber.
Bem, embora este blog seja baseado em fatos reais, alguns nomes dos personagens foram abreviados, ou poupados, e alguns incidentes foram narrados em forma de diálogos.
Mas não apenas como forma de registrar os meus sentimentos e pensamentos.

O texto aborda temas como destino, livre arbítrio e o poder de nossas escolhas mais ordinárias.
Formas de descrever as consequências das atitudes dessa senhora aqui (vide SOBREVIVENDO NO INFERNO).
Afinal, no fim todos teremos que nos responsabilizar por nossas próprias decisões, as boas e más.

Então, se começar foi fácil, difícil vai ser parar:
– Hoje, parece fantasioso, senão impossível, acreditar na inocência dela.
– Mas ela . .
– Alto lá. Desconstrua a imagem daquela senhora que você conheceu.
Aliás, é impressionante e assombroso ver alguém a transformando em uma santa, ou foi manipulado, desconhece os fatos, ou é absolutamente cínico; para que você faça uma reconsideração de um pensamento vamos esclarecer alguns fatos: Isso tudo foi consequência dos atos dela, e da próxima vez, tente ter um pouco mais do que apenas complacência.

– Você não está sendo razoável.
– Não querer ser lembrado a cada segundo de tudo que ela fez? Então não estou sendo razoável.
Eu não vou me desculpar por fazer o certo.

– Mas a questão ainda permanece.
– Estou errado?
– Sobre o que?
– Por não querer perdoá-la? Foi ela que me abandonou, não esqueça disso.
– Pensei que você acreditasse em perdão.
– Cristo perdoa, eu não sou Cristo.

– Ela não iria querer que esse fantasma saísse do armário, o que ela fez já aconteceu há muito tempo.
– A decisão foi toda dela.
– Ela não tinha escolha.
– Sempre temos uma escolha.

‘A preocupação com as consequências e implicações é mínima ou, até mesmo, inexistente, isso infelizmente, tem afetado muitas pessoas. O resultado são inúmeros conflitos e dramas familiares.
Toda escolha tem suas consequências. – Gênesis 39:21’

O futuro é construído pelas nossas decisões diárias, inconstantes e imutáveis, e cada evento influencia todos os outros. – Alvin Tofller

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

DEPOIMENTOS SOBRE MÃES ABUSIVAS

Estas pessoas não estão impassíveis por sua eloqüência.
Por Letícia Fernandez, jornalista, escritora, colunista.
‘Uma moça fez um relato pessoal e, aparentemente, mais comum do que gostaríamos de acreditar e dezenas de comentários de outras mulheres apontam que aquela história é conhecida e vivida por muitas pessoas.
Porém outras mulheres resolveram desancar a moça, a atitude me deixa absurdada por diversas razões, mas se sobressaem algumas.

A repetição do velho, desgastado e desonesto bordão “se eu nunca vi, não aconteceu”; a deliberada decisão de ignorar o que foi exposto, bem como o relato de outras pessoas, também vítimas de relacionamentos intrafamiliares abusivos.
Sim, porque a gente não gosta de pensar nisso, mas mães podem ser abusivas.

O que vi foi uma tentativa desrespeitosa de desmerecer o sofrimento de quem está na ponta mais fraca desta relação, como se a jovem não estivesse ela mesma ficando também traumatizada e sem conseguir entender como quem mais devia lhe apoiar não o faz.
Elas se sentem tão importantes a ponto de acreditar que tudo é uma conspiração.

Sempre existem aqueles pouco sensíveis, que categorizam qualquer sofrimento alheio como mera frescura.
A este ponto algumas pessoas devem estar pensando que é drama, exagero, que isso não existe, mas existe.
Uma realidade longe de acabar, longe de conseguir o apoio ideal para as vítimas, longe de ser algo que as pessoas tomam como verdade, essas pessoas pensam que a vítima está mentindo.
Vítimas que passam por isso precisam muito de apoio e quase nunca encontram.

Um dos maiores problemas no caso do relacionamento abusivo materno é não ter o apoio de ninguém.
Embora muitas pessoas peçam ajuda, não a encontram, fazem terapia e muitos profissionais não sabem identificar o problema.
Chegam a achar absurdo e até perguntam para o paciente se ele quer ensinar a profissão para o terapeuta, ou seja, onde a ajuda é solicitada, a pessoa é abandonada.

Também cansamos de ouvir conselhos como “saia de casa”, “muita gente vive com pouco, você consegue”, “você está exagerando”.
Normalmente quem vive um relacionamento desses já tentou inúmeras vezes sair de casa, mas não conseguiu ou, se conseguiu e voltou, recebeu o dobro do abuso antes vivido.

Ninguém precisa saber que para parar de viver isso precisa sair de casa, mas muitas vezes não existem condições para tal, e não é falando “se esforça” que isso vai acontecer.
Quando uma pessoa pede apoio, ela quer ser ouvida.’

Sempre encontrei no sexo uma grande virtude consoladora, e nada adoça mais as minhas aflições vindas dos meus problemas do que sentir que uma pessoa amável se interessa por ele. – Jean Jacques Rousseau

Contudo, certas coisas não se deve fazer quando se dá apoio emocional a alguém.
Não se concentre em resolver o problema.
A menos que haja um pedido explícito de ajuda, não estamos à procura de conselhos práticos quando falamos sobre as questões que nos preocupam ou incomodam.

O conceito de apoio emocional é autoexplicativo, ou seja, não se trata de um processo de criação de ideias para se resolver um problema, mas de dar suporte.
O apoio emocional vem da sintonia de compreender a necessidade de outra pessoa de ter os sentimentos reconhecidos.
Quando você diz para alguém que está sofrendo de angústia: “percebo como isso afeta você”, independente do que esteja acontecendo ou se concorda com a razão ou a reação emocional da pessoa, você a faz se sentir vista, aceita e compreendida.

O apoio emocional não se trata de uma análise ou comparação de experiências e, supostamente, do aprendizado que resulta destas, mas de perceber e lidar com os sentimentos.
Não antagonize o outro, antagonizar é contrariar, discordar ou causar aborrecimento a outrem, ou seja, o oposto de apoiar.

Enquanto uma pessoa emocionalmente congruente e complacente favorece a expressão e o reconhecimento dos sentimentos, seja em si mesmo ou nos outros, uma pessoa antagonista, egoísta ou emocionalmente negligente, no entanto, tem o hábito de ignorá-los, reprimi-los, evitá-los, negá-los ou banalizá-los.
Então não está oferecendo apoio emocional, mas alienando o outro.
Você pode fazer isso de forma bastante automática usando o julgamento e chavões do senso comum, discurso motivacional ou um excesso de psicologia positiva, por exemplo.

Por Raquel Gonçalves.
‘O que faz um relacionamento ser abusivo?
Quando você tem qualquer tipo de relacionamento com uma pessoa e ela nega sua privacidade, sua intimidade, abusa verbalmente, abandona, negligencia, oprime, magoa.
Isso é um relacionamento abusivo.

Mãe, reconhecer o nosso relacionamento abusivo não foi fácil para mim, mas romper com esse ciclo despótico e desgastante me dá novos vigores.
O senso de problematizar a nossa relação é aquele que me liberta e faz tentar compreender seus motivos para agir dessa forma.’

Ninguém viveu minha vida, ninguém chorou minhas lágrimas. Então não julgue, e apenas fique na sua. – Kristen Stewart

Por Vivian.
A realidade é implacável, mães odeiam seus filhos sim.
A sociedade tem que parar de fechar os olhos para isto, apenas por serem fracos demais apenas para imaginar tal situação. Sabemos aqui que vivemos isso.
Minha própria mãe, a pessoa pela qual eu sempre lutei na esperança de que o coração dela fosse tocado . . . mas essas mudanças só ocorrem em filmes mesmo.

Por Adriana.
Queria muito ter uma relação de mãe e filha saudável com ela, tentei várias vezes, mas não dá.
Ela se faz de coitada, fala para as pessoas que não gosto dela, mas não fala uma palavra sobre tudo que já fez.
É muito ruim, e o pior é que acreditam nela e não em mim.

Alguns pensam que o que nos faz mais fortes é aguentar, mas às vezes é apenas deixar estar. – Herman Hesse

Por Carlos Moraes, este que vos escreve.
Letícia, Raquel, e tantas mais: Que a história nos faça justiça, ou pelo menos seja leve e gentil.
Bem, eu tenho um histórico de vida.
Por entender que para apontar motivos seja preciso conhecer cada história em sua individualidade, a minha com essa senhora aqui está em SOBREVIVENDO NO INFERNO.

“Desculpa” mãe, mas você é a responsável pelo abismo existente entre nós.
Eu vim expor umas verdades olhando meu reflexo no espelho enquanto vejo as marcas interiores deixadas pelas suas escolhas e atitudes.
Mas não quer ouvir isso, não é? Aí é que está, você não ouve, nunca ouviu.
E sempre tem razão, pois é mais fácil perpetuar uma falácia, mesmo quando está completamente errada.

Estava enganado sobre você, você é pior do que eu pensava.
Nunca importou para você como eu me sentia.
Se realmente se importasse comigo, teria me perguntado ao menos uma vez como eu estive todo esse tempo.

Eu estou te explicando para te confundir. Eu estou te confundindo para te explicar. – Tom Zé