terça-feira, 9 de junho de 2020

DESABAFO SOBRE PASSADO, PRESENTE E FUTURO

O tempo não volta, mas sempre podemos visitar o passado.
Pretendo reconstituir o meu heterodoxo percurso e tentar reconstruir meu passado.
Nas minhas rugas se inscreve tanto a inexorabilidade do tempo que tudo destrói, como o sinal de que algo existiu certamente ali.

Bem, depois de mais de vinte anos, gostaria de compartilhar alguns pensamentos sobre o passado, presente e futuro.
O passado é uma coisa interessante, pensamos que é algo do qual possamos escapar, algo que nunca veremos de novo.
Embora de alguma forma o passado sempre nos relembre que também pode ser nosso presente, e nosso futuro.

Mas para entendermos melhor o nosso personagem teremos de retroagir um pouco no tempo.
Até um ponto, que, se não a nascente desse córrego, ao menos, o que talvez possa ser considerado o divisor de águas na minha vida, foi quando o show de horrores começou (SOBREVIVENDO NO INFERNO).

Então, cuidado com o que faz hoje, o passado sempre volta e nem todo erro é perdoável.
Você pode mudar sua reação ao passado, mas você não pode mudar o passado.

O passado sempre esta no nosso futuro, apenas esperando para bagunçar o presente. – Vanessa Pimentel

sexta-feira, 5 de junho de 2020

ASSIM NA TERRA COMO NO INFERNO

Um olhar sobre o homem.
Hoje, uma frase - dita pelo protagonista na introdução de uma série - ecoou pela minha cabeça.
‘Porque o que os outros chamam de inferno, eu chamo de casa.’

Uma frase tão curta, simples, mas de um significado tão grande.
Pensar no seu sentido não é uma tarefa complicada, o contexto só precisa ser entendido.

A trama explora relações interpessoais e familiares e o impacto que o mundo que nos rodeia, quer queiramos quer não, pode ter na vida de cada um.
É ficção, mas é sobre nós, sobre famílias, sobre a vida.

A série faz perceber que, por vezes, o mote está nos pormenores que nem sempre se vêem, escondido no interior magoado de cada um.
O que traz para si a todo momento a relação com o meu passado.

Que envolve questões de uma história recorrente, sobre a vida, caracterizada por tons melancólicos e realistas, abrangendo o cotidiano de um certo contexto vivido.
Que está associado a lembranças dolorosas, coisas abomináveis, ações cruéis.

É que minha vida toda mudou, eu percebi que, de uma maneira, minha vida acabou quando entrei nessa casa.
A repercussão emocional, afetiva e psicológica dos eventos daquela mudança de enderêço está nesta crônica: SOBREVIVENDO NO INFERNO.

No fim das contas, tudo isso abre um buraco dentro da gente.
E uma coisa é fato, pessoas que vivem no céu não devem julgar as que vivem no inferno, não acho que elas entendam a gravidade desta situação.

O inferno está vazio, todos os demônios estão aqui. – William Shakespeare

quinta-feira, 28 de maio de 2020

POR MAIS CONQUISTAS QUE SE TENHA NA VIDA, SEMPRE HAVERÁ UMA PERDA IRREPARÁVEL

Uma conversa sobre perdas emocionais.
Acredito que sei alguma coisa sobre perda, está comigo todo dia quando acordo e toda noite quando fecho os olhos.
Tem sido uma jornada e tanto, perdeu-se muito, muito se sacrificou para chegar até aqui.

Perdi a maior parte de mim, as coisas boas, a felicidade, a alegria de ser.
Estou triste o tempo todo, não sou a pessoa que eu era.

As pessoas acham que estou bem, que segui em frente, que sou triste às vezes, mas que estar assim é uma fase, só que não é.
Este sou eu o tempo todo, todo o resto é cópia, sabe?

Não está nada bem, mas sei como era ser normal, e tento reproduzir isso, mas não é o que realmente sou, e quero o normal de novo.
Pois é . . se ela não tivesse feito escolhas erradas (SOBREVIVENDO NO INFERNO) eu teria uma ‘vida’ ao invés de nada, podem entender como é ser assim?
Sentir a perda que senti?

Foi tudo por causa dela, por causa de nossa mãe, nós tivemos imensas perdas. Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, nem fomos presos por qualquer crime. E agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos "pais maus", como minha mãe foi. – Carlos Hecktheuer, médico psiquiatra.

As perdas da vida nos colocam em patamares de desafios, que muitas vezes quase não podemos suportar. – Paola Rhoden

sábado, 23 de maio de 2020

COMO VOCÊ SABE O QUE É A DOR?

Você pode escrever sobre algo que nunca sentiu?
Sabe, quando a gente vê reportagens sobre abandono isso é um bom motivo para contarmos essa história mais uma vez.
O abandono não precisa ser físico para ser considerado abandono, pode ser abandono emocional.

O abandono significa que outro indivíduo pode sofrer danos em consequência de tal ato.
Já vivenciei isso, esse tipo de dor, e não dá para fugir dela erguendo muralhas em torno de seu coração.

Eu acrescento que meu desabafo é sincero porque a dor que sinto é real.
É que a dor não é física, não é aparente, vai além de tudo isso, é um corte de navalha na alma, que apesar de não sangrar, tem cor do sabor amargo de lágrima, e só quem sente é capaz de perceber.

E eu ainda sinto essa dor. Como se fosse ontem (SOBREVIVENDO NO INFERNO).
Para qualquer lugar que eu for, levarei sempre a dor na bagagem.

Só sabe a dor do abandono quem realmente o experimenta. – Ronei Porto da Rocha

terça-feira, 19 de maio de 2020

E DE FATO O IMPORTANTE É SEMPRE COLOCAR AS COISAS EM PERSPECTIVA

É que às vezes é preciso alguém para compartilhar nossa perspectiva.
'Acredito que é no cotidiano que estão os melhores enredos.
Não há história sem um bom contratempo, sem acontecimentos inesperados que surgem de repente, podem observar, qualquer história não tem graça se o protagonista não enfrenta imprevistos.'

Esse simples parágrafo acima dos sincericídios da Tarsila Zamami me serve de ponte para falar sobre a vida.
E, como a vida tem suas tragédias, o que importa é sob qual ótica vamos enxergar as dificuldades que se apresentam.

Se quiser fazer uma análise da realidade o mais isenta possível, deve-se tentar observá-la do maior número possível de ângulos e perspectivas.
Porém as pessoas não querem fazer isso, não querem assumir outro ângulo para observar um fato ou acontecimento.
Portanto, antes de questionar a história de alguém, é preciso refletir com mais amplitude e perspectiva.

Proponho então mudar o olhar e tentar ver o mundo a partir de minha perspectiva.
Depois de ver isso - SOBREVIVENDO NO INFERNO - certamente se coloca as coisas em perspectiva, aquela que nos fazem refletir.

O homem que vê mal vê sempre menos do que aquilo que há para ver; o homem que ouve mal ouve sempre algo mais do que aquilo que há para ouvir. – Nietzsche