quinta-feira, 18 de março de 2021

O SILENCIAMENTO DE FILHOS ABUSADOS

Um costume inquietante e desconfortável.
Precisamos falar sobre como você silencia os filhos ao seu redor.
Uma fala de revolta, justiça, para olharmos para os hábitos que revelam uma cultura inteira de opressão sistêmica, uma cultura que cala.

Vivemos uma cultura que culpa, controla e silencia.
O silenciamento aparece com diferentes caras e justificativas, isso acontece com toda a fala, inclusive quando relatamos algo que aconteceu conosco.

É um reflexo de uma cultura cruel, que cala os filhos por tudo, não à toa frequentemente desacreditam nossos discursos com termos ligados à ideia de emotividade exacerbada, como malucos, loucos e exagerados.
É tão assustador e a gente segue como consegue, fica fingindo normalidade, tentando ser legal para mostrar que está tudo bem, não está com raiva.
Segue demonstrando uma tolerância excessiva para não sofrer represália, ter desentendimento, só que chega uma hora que isso começa a fazer tão mal que a gente tem que arrebentar a tampa desse caldeirão e se salvar.

Sabe, os filhos são sempre induzidos a adotar o silêncio como única opção, a gente é ensinado a aceitar calado abusos, mas eu eliminei isso completamente da minha vida.
Eu não tenho medo de me posicionar e dizer o que penso sobre diversos assuntos, começando pelo abuso materno (SOBREVIVENDO NO INFERNO), não vou me calar perante esse tipo de coisa.

Tenho a consciência de que não é todo mundo que consegue mas quebrar amarras que oprimem a gente é fundamental, não há necessidade de se sofrer silenciosamente.
Em tempos tão desesperadores, talvez isso já sirva de grande ajuda para quem precisa de uma válvula de escape.

A imposição do silêncio é uma das principais armas de uma mãe abusiva. – Vera Kollontai

quarta-feira, 10 de março de 2021

É INACEITÁVEL A SANTIFICAÇÃO DA FIGURA MATERNA

O que há por trás da crença na santidade das mães.
A imagem imaculada da mãe está envolta em um halo sagrado, então é o momento de todo mundo parar e ouvir essa história: O Louvor a Maternidade, por Vera Kollontai, escritora.

‘Eu fui criada para acreditar que as mães são seres celestiais que dariam a vida por seus filhos, mas eu estava errada, apesar de sempre ter sido constatado um estranhamento da minha parte.
Talvez por causa do louvor a mãe como se ela fosse um ser celestial e intocável, era algo muito bem guardado dentro da minha mente o porquê eu renegar este papel nas mães.
Eu sempre saia das discussões sentindo-me não vencida, mas mal compreendida.
Esse louvor a maternidade como se fosse algo intocável faz com que muitas crianças, adolescentes e adultos calem-se sobre a relação abusiva e tóxica vivida com suas mães, submetam-se a vida toda a desmandos, perversidades e violências.
Vi este tipo de coisa acontecer a vida toda e não sabia nomear, e talvez não quisesse nomear por que a ideia de “mãe é mãe” estava ali alienando meu cérebro moldado para repetições de conceitos sociais aprendidos e inculcados ali.
Mas enfim, o que importa é que vi casos passando na minha cara e eu sempre achava que era culpa do filho, ora bolas, só poderia ser ele que não prestava.
Esta ideia fica tão arraigada na mente das pessoas que muitos não admitem que mães abusivas existam, é um assunto tão mitificado que eles negam até para eles mesmos.’

Eis que surge uma pergunta necessária.
Eu fui violentado emocionalmente (SOBREVIVENDO NO INFERNO), neste caso a maternidade pode ser louvada?

Maldade maternal existe, mães matam, mães destroem, mães não estão acima de tudo em um pedestal, elas agridem, machucam e causam feridas que aumentam cada dia mais com o tempo! – Renata Libereco

sexta-feira, 5 de março de 2021

ENTRE A MÃE E A GENITORA EXISTE UM VERDADEIRO ABISMO

Não se trata de adivinhação, mas é fruto de análises, leituras, práticas e experiência pessoal.
Vamos deixar, primeiramente, uma coisa bem clara nessa postagem.
Parece meio pretensioso começar um texto com o título afirmativo sobre essa questão, mas não é, é preciso deixar que o conhecimento faça sentido - também a partir de estudos e do que afirmam especialistas e profissionais no assunto - para desmascarar mitos universais.

Ainda em dúvida? Leidyane Alvarenga ajuda a mostrar a verdade por trás da imagem de mãe sagrada.
‘Existe um mito em nossa sociedade de que as mães são sagradas, e que não podem jamais serem criticadas, nem confrontadas, nem desobedecidas, e que não erram.
Acredito que isso se dá ao fato do nosso país ser massivamente cristão, e haver a comparação entre mães e Maria, mãe de Jesus.
Sim, mães devem ser respeitadas e obedecidas por conta de sua posição, contudo, existem mães abusivas, nesses casos, a desobediência torna-se um ato necessário.’

Isto posto, precisamos entender que o fato de sermos filhos, não nos obriga a aceitarmos o ambiente abusivo e muitas vezes tóxico - vide SOBREVIVENDO NO INFERNO - que essas mães criam.
É uma relação negativa, destrutiva e triste, que geralmente, envolve a destruição da autoestima dos filhos.
Então antes de deixar sua “desculpa” para uma mãe ser abusiva, reflita sobre isso.

Não há dúvida da importância de respeitar os pais, um dos Dez Mandamentos, porém, uma grande exceção é quando o relacionamento é abusivo, não importa a forma de abuso. Quando um filho sofre abuso então esse mandamento é suspenso. – Sara Esther Crispe

sábado, 27 de fevereiro de 2021

‘RELACIONAMENTO ABUSIVO FAMILIAR’

'Atenção, a abusividade pode vir de mães.'
Chega a ser desnecessário ressaltar a importância de discutir tal assunto, mesmo assim a psicóloga Josie Conti explica.

‘Ouvimos com frequência sobre relacionamentos abusivos, especificamente entre casais, entretanto, existe outra vertente de relacionamento abusivo, o materno.
Esse tipo de relacionamento abusivo é aquele em que as mães agem de forma inadequada em relação aos seus filhos, seja através de negligência, abuso psicológico, abandono, dentre outros.
Ele se caracteriza devido a sua intensidade, gravidade e repetitividade; a mãe abusiva sempre quer estar no controle de tudo, seja financeiramente, emocionalmente e socialmente.
Não há uma faixa etária específica para que isso ocorra, em caso de adultos, deve-se procurar alguém que possa tirar o abusado o quanto antes da mãe abusiva, pois são graves e severas as consequências causadas por essas relações.’

Bem, fiz esse resumo para dar uma contextualizada, mas o texto é principalmente sobre as reflexões que ele nos trouxe e que são totalmente cabíveis.
Uma reflexão que tantas vezes querem deixar de lado mas que essa crônica nos obriga a fazer.

Imagine que você vive uma vida onde tudo está no lugar e, de repente, sua mãe faz coisas horrendas (aquilo que é caracterizado pelo excesso de maldade), intoleráveis, te faz mal, te subestima, abusa psicológicamente, te exclui, te abandona - vide meu caso: SOBREVIVENDO NO INFERNO.
Pois é, eu quero provocar o leitor ao colocá-lo na parede com o inquietante sentimento de: E se fosse contigo?

O abuso, enquanto comportamento que causa dano, físico, moral ou psicológico, não acidental a outra pessoa, tem várias formas de manifestação. E o abuso incomoda, incomoda ainda mais quando presente no ambiente familiar no qual, teoricamente, se está protegido. – Ana Grazielli Souza

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

AS MÃES ABUSIVAS E O ABUSO PSICOLÓGICO

O que afirmam os profissionais de saúde mental.
Não posso deixar de celebrar a coragem da psicóloga Silvia Malamud, de abordar um tema que precisa ser discutido.
O assunto em questão é muito delicado e assim como em tantas outras vezes chega para refletir o que estamos debatendo aqui.

‘Mães abusivas costumam parecer pessoas típicas, isso faz a maioria das pessoas nem desconfiar de suas atitudes.
Não necessariamente são pessoas agressivas fisicamente, mas podem ser agressivas emocionalmente.
Essas mães praticam abusos psicológicos, emocionais e verbais para se auto-afirmarem na posição de um “ser intocável”.
São pessoas extremamente invasivas e abusivas, que querem ter total controle sobre a vida de seus filhos, mesmo quando adultos.
E quem está de fora encara isso como sendo “para o bem do filho”, sendo assim, a relação com elas muitas vezes é permeada por conflitos.
Tudo que essa mãe alega a respeito de si mesma, dos outros e do mundo defende como verdade inquestionável, mesmo quando errada.
É inflexível, não permitindo que suas afirmações sejam contestadas e tampouco refutadas, argumentar com essa mãe é impossível, pois ela não reconhece seus erros, para ela a verdade não se baseia em fatos.
Não admite culpa: mesmo arruinando a vida de um filho, nunca admite causar mal algum a quem quer que seja.
Raramente opta pelo diálogo e o entendimento, mas mantém uma atitude intransigente, constantemente subestima e conscientemente ignora a dor de seu filho.
Não pede desculpas por acreditar que nada do que acontece de forma ruim é culpa sua, essa mãe nunca admite quando trata o filho de maneira imprópria.
Mesmo quando tem plena ciência de seu comportamento abusivo, não pede desculpas quando magoa um filho.
Esse filho não têm um lar para retornar, o sentimento é de abandono emocional, de estar na solidão mesmo que acompanhado, de ser órfão de mãe viva, isso é minimamente prejudicial à saúde mental.’

Então vem a consequência: Fiquei adoecido emocionalmente por estar no convívio de uma pessoa perversa (SOBREVIVENDO NO INFERNO) e extremamente perturbadora que se diz ser minha mãe.

O abuso materno existe, pode não ser tão visível como as outras formas de abuso, mas existe. – Gisely Luize Ristow Lucinda